sexta-feira, 16 de maio de 2014

UNIVASF, CHESF e Embrapa Semiárido distribuem cartilha sobre o manejo apícola


Capa da cartilha educativa
Boas Práticas de Manejo Apícola” é o título da cartilha que vai ser distribuída gratuitamente nos municípios baianos de Casa Nova, Sento Sé, Sobradinho, Pilão Arcado e Remanso. A meta é entregar pelo menos 1000 exemplares da publicação, produzida pela Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF) em parceria com o Projeto Lago de Sobradinho, que é coordenado pela Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (CHESF) e a Embrapa Semiárido. Os interessados também podem ter acesso ao trabalho no endereço: http://projetolagodesobradinho.blogspot.com.br/p/blog-page_28.html
Os autores da publicação são as zootecnistas Eva Mônica Sarmento da Silva e Heidy Carvalho dos Santos, o estudante de graduação em Zootecnia da UNIVASF Emerson José Alves Matos e o coordenador do Projeto Lago de Sobradinho, Rebert Coelho Correia.
Na cartilha, o agricultor tem acesso às orientações que podem contribuir para a melhoria da produção do mel no Semiárido. Por exemplo: manter a disponibilidade de água limpa com distância máxima de até 500 metros do apiário. A zootecnista Eva Mônica Sarmento, professora da UNIVASF, explica que, em condições ideais, o tempo médio de vida das abelhas é de aproximadamente 45 dias. Se a fonte de água e de alimento (pólen e néctar) estiverem longe, esse tempo pode ser reduzido.
O conteúdo apresentado na cartilha é baseado em questões levantadas pelos pesquisadores com a contribuição dos apicultores que participaram dos cursos organizados pelo Projeto Lago de Sobradinho. O manejo mais adequado para o período de escassez das chuvas e também as técnicas para a criação racional das abelhas Apis mellifera, são alguns dos assuntos abordados na publicação.
Além do diálogo com os produtores, nos encontros realizados por meio do Projeto Lago de Sobradinho também foram entregues materiais de proteção e equipamentos que visam atender as principais demandas dos apicultores das cidades no entorno da barragem.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

A dupla jornada de um 'viajante' no Sertão

Raira Santos, Inácio Gomes e Luiz Ferreira fazem parte do Projeto Lago de Sobradinho
Num dia, precisa visitar criadores de caprinos e ovinos. Em outro, a dedicação se volta para um agricultor que planta feijão e milho. E ainda tem mais dias em que a demanda por sua atenção vem daqueles que cultivam melão, melancia e cebola, irrigados. Ou ainda, tem que correr para assistir aquele outro produtor que precisa melhorar a ração das vacas leiteiras criadas em meio à vegetação nativa da Caatinga.
É muito com o que se ocupar, mas é como se desenrola o dia-a-dia de Inácio Gomes. Funcionário da Prefeitura Municipal de Sobradinho (BA), lotado na Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente, ele está à frente do escritório que executa ações de transferência de tecnologias do Projeto Lago de Sobradinho.
Cansativo? Ele diz: por vezes, sim. Contudo, experimenta uma espécie de realização por estar envolvido em iniciativas que buscam melhorar a vida dos moradores do campo. O que, rememora, faltou aos seus pais no pequeno município de Itapetim, no Semiárido pernambucano e que, na seca de 1976, se viram migrantes, ao lado de muitas famílias, para o município de Sobradinho, onde tinham sido iniciadas as obras da barragem e a oferta de empregos aumentou na cidade.

Experiências
Anos mais tarde, o pai, Manoel Gomes Maurício, já trabalhando em uma das empresas públicas do Vale do São Francisco, em Petrolina (PE), tomava parte em iniciativas de assistência técnica junto aos agricultores do Sertão. Desta fase, lhe ocorrem mais lembranças das dificuldades enfrentadas pelos produtores das áreas de sequeiro, que fixaram nele uma espécie de solidariedade com quem vive da agricultura e da criação pecuária no Semiárido.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Unidade de beneficiamento de leite é inaugurada em Casa Nova (BA)



Solenidade contou com a presença de produtores e autoridades
Produtores do município de Casa Nova (BA) contam com um novo espaço para produção de derivados do leite. Uma Unidade de beneficiamento foi inaugurada, no dia 11 de fevereiro, na Associação dos Pequenos Produtores e Apicultores da Fazenda Santarém.
A Unidade é fruto de uma parceria dos associados com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Semiárido) e a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), que realizam na região o projeto “Ações de desenvolvimento para produtores agropecuários e pescadores do território do entorno da Barragem de Sobradinho-BA” (Projeto Lago de Sobradinho), juntamente com a Prefeitura de Casa Nova.
Considerando a importância que o beneficiamento representa para os produtores familiares do município, o projeto repassou para a Associação os equipamentos essenciais para o desenvolvimento das atividades. Também foi realizada capacitação para as pessoas que irão trabalhar na Unidade. Entre os temas abordados estiveram aspectos teóricos e práticos de boas práticas de fabricação e controle de qualidade dos produtos a serem produzidos. 
De acordo com o pesquisador da Embrapa Semiárido e coordenador do projeto, Rebert Correia, “o beneficiamento do leite deve agregar valor à produção destas famílias, empregando mão de obra familiar e obtendo, assim, maior valor de revenda quando comercializado no mercado. Além disso, promove ganhos de qualidade nos processos produtivos e de vida dos produtores, elevando a competitividade dos agricultores familiares no mercado”.
O administrador do Termo de Cooperação pela Chesf, Rodolfo de Sá Cavalcanti, destaca que a materialização de ações como esta agrega valor não só aos objetivos e metas do Projeto Lago de Sobradinho, mas também se torna um referencial para os demais produtores da região, que com planejamento, organização e apoio técnico adequado, o empreendedorismo vem a obter sucesso.
Entre os principais produtos que devem ser fabricados na Unidade de beneficiamento estão iogurte, doce de leite, requeijão cremoso e queijo de coalho. Ao todo serão 16 famílias trabalhando no local, e a comercialização da produção deve ser voltada, principalmente, para a merenda escolar do município.
Na solenidade de inauguração estiveram presentes o prefeito e o vice-prefeito do município, vereadores e secretários de agricultura de Casa Nova e Pilão Arcado, representantes da Embrapa, Chesf, Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf), Banco do Brasil e Banco do Nordeste, produtores, estudantes e presidentes de diversas associações de agricultores, totalizando cerca de 150 pessoas.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Estudo reúne informações para planejar o desenvolvimento da piscicultura no Lago de Sobradinho

                                                                                                                             Foto: Fernanda Birolo

Foto: Fernanda Birolo
Criadores de peixes têm apoio da Chesf e Embrapa para aumentarem produção
 As alterações no leito e a pesca excessiva têm diminuído, ano a ano, a população de espécies tradicionais (surubim, cari, dourado, pacamã, piau e curimatã) no rio São Francisco. Em sentido contrário, a demanda dos consumidores cresce de maneira contínua. É uma situação que ameaça privar milhares de famílias ribeirinhas da sua principal fonte de alimento e de renda.
A Embrapa Semiárido e a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (CHESF) – querem transformar a atividade em um negócio sustentável, seja em escala familiar ou empresarial. Com este objetivo que realizaram o “Estudo da Cadeia Produtiva do Pescado no Entorno do Lago de Sobradinho”.
O documento final apresenta o contexto socioeconômico da atividade nos municípios baianos de Casa Nova, Remanso, Pilão Arcado, Sobradinho e Sento Sé, identifica problemas e entraves tecnológicos, e fatores que limitam a pesca. Por fim, propõe um conjunto de ações capazes de orientar investimentos e fortalecer a economia regional.
É um estudo pioneiro, fruto de dois workshops que tiveram a participação da Colônia e Associação de Pescadores, das prefeituras municipais, Bahia Pesca, Chesf, Codevasf, Embrapa e Universidade Federal de Santa Maria (RS), e o apoio do Fórum de Desenvolvimento Regional Sustentável do Lago Sobradinho, explica o pesquisador Rebert Coelho Correia.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Projeto aponta contaminação da água do rio na área da Barragem de Sobradinho

Pontos  no mapa marcam locais estudados pelos pesquisadores

O que apenas era uma desconfiança ou especulação está a se confirmar: a água do rio São Francisco que banha os quatro municípios baianos (Sobradinho, Sento Sé, Remanso e Casa Nova) localizados à borda do lago formado pela Barragem de Sobradinho, apresenta indícios de contaminação por resíduos químicos e biológicos. Em vários pontos do Lago, metais pesados, coliformes fecais e substâncias químicas já se misturam à água em proporções acima da permitida pela legislação brasileira.
É uma situação muito preocupante, afirmam as pesquisadoras Alessandra Monteiro Salviano Mendes e Paula Tereza de Souza e Silva, da Embrapa Semiárido. E embora manifestem essa opinião com base em informações preliminares, os dados de amostras coletados em 27 locais diferentes e em períodos de maior e menor cota do Lago, dão uma boa noção da realidade atual e dos riscos que representa sua evolução se mantido o atual modelo de agricultura praticado na região. Outras campanhas de coleta estão sendo realizadas para confirmação desses dados.
De acordo com as pesquisadoras, as análises das amostras identificaram teores totais de metais pesados - ferro (Fe) e cádmio (Cd) – superiores aos que são permitidos por lei. E o aumento da concentração desses elementos na época de cheia do rio, pode estar relacionado, entre muitos outros fatores, “com o carreamento do solo pela erosão para dentro do Lago no período de chuva e com o avanço das áreas agrícolas para o Lago, na época de menor cota”, explicam.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Gotejamento e fertirrigação fazem agricultores ampliar áreas cultivadas com melão, melancia e cebola

Agricultor e pesquisadores, e os frutos da tecnologia no campo



Aumentar a área de cultivo. Eis aí uma decisão que parece combinada entre os agricultores que aceitaram avaliar, em suas propriedades, nos municípios da borda do lago formado pela Barragem de Sobradinho, algumas tecnologias de irrigação e de manejo de melão, melancia e cebola, pesquisadas na Embrapa Semiárido. Uma das razões para escolha tão semelhante está nos resultados das colheitas: quase o dobro de frutos que costumavam obter com as práticas convencionais de plantio.

A decisão tem sido tomada até por quem experimentou, pela primeira vez, o cultivo irrigado, sob a orientação dos pesquisadores da Embrapa. Comerciante e pecuarista no município de Pilão Arcado – BA, Gildécio Borges Lopes não esperou nem terminar a colheita de melancia, em 2,5 ha de sua propriedade, para anunciar a ampliação em mais 2,5 ha a área irrigada das suas terras para, quando janeiro chegar, plantar cebola.

Durante um evento de transferência de tecnologia, organizado na sua propriedade, por profissionais da Embrapa Semiárido, da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (CHESF) e da prefeitura, o comerciante brincava, entre as mais de 100 pessoas presentes, atribuindo para si o título de maior produtor de melancia de Pilão Arcado. Mais do que isso, ele era o primeiro agricultor, em cerca de 50 km de margem de rio, que se estende nos limites geográficos do município, a empregar tecnologia de irrigação num cultivo. 

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Produtores conhecem gliricídia como alternativa para alimentar rebanhos no Semiárido


Um dos pontos cruciais para a produção de animais no Semiárido é a preparação de uma reserva  estratégica de forragens, para ser fornecida ao rebanho no período em que há menor oferta de alimentos. A gliricídia é uma das boas alternativas, e está sendo apresentada pelos técnicos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) aos produtores de gado do sertão da Bahia.
A iniciativa faz parte do projeto Lago de Sobradinho, realizado em parceria entre a Embrapa Semiárido e a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), juntamente com as prefeituras dos municípios de Casa Nova, Sento Sé, Pilão Arcado, Remanso e Sobradinho (BA).  O projeto visa melhorar a qualidade de vida da população que vive no entorno da Barragem de Sobradinho, e uma das estratégias é incrementar a produção de leite na região.
A gliricídia tem se mostrado uma opção promissora para a alimentação do rebanho leiteiro, com vantagens tanto para a dieta dos animais quanto para as condições da região. “Ela tem resistência à seca, produz uma boa quantidade de massa verde e um tem alto teor de proteína”, ressalta o técnico agrícola Alberto Amorim, da Embrapa Semiárido.
O cultivo da leguminosa também é fácil e rápido. De acordo com Amorim, o produtor deve fazer o plantio no início das chuvas. Se tiver como molhar as plantas, em 4 meses já dá pra fazer o primeiro corte. Em área de sequeiro é preciso esperar um pouco mais, para que ela desenvolva melhor suas raízes. E complementa: “Daí pra frente, pode cortar sempre que tiver material para ser armazenado. Quando mais corta mais ela dá”.
Para demonstrar a facilidade no cultivo e os bons resultados da produção, foram instalados Campos de Aprendizagem Tecnológica (CATs) nas propriedades de 10 produtores, dois em cada município. Nessas áreas, a leguminosa é plantada e cuidada pelo próprio produtor, com acompanhamento dos técnicos, e a experiência pode ser observada por outros interessados em dias de campo que são realizados pelo projeto.
Assim aconteceu na propriedade do senhor Luiz Ferreira dos Santos Filho, no Projeto de Irrigação Tatauí I, em Sobradinho (BA). A gliricídia foi plantada em uma área de cerca de meio hectare e em 4 meses já estava em ponto de corte. O material foi colhido e, com a participação de moradores das redondezas, preparado para ser armazenado em um silo.
“Para os produtores é muito importante o armazenamento de forragem, e nós vemos muito pouco isso nas propriedades. Se você quer criar, primeiro tem que plantar para ter fonte de proteína e de energia”, explica o técnico agrícola Geraldo Farias, da Embrapa Semiárido.
Aprendida a lição, o senhor Luiz já faz planos para o futuro: “Quando estiver com a área completa de gliricídia, pra poder ter ração suficiente, vou vender esse gado que não produz tanto e comprar umas 10 vacas de leite”, afirma.
Outro produtor que teve um CAT instalado na área foi João Batista de Oliveira Neto, do sítio Novo São Gonçalo, em Sobradinho (BA). No início do projeto ele recebeu um tambor de silagem de gliricídia, e com a experiência já foi possível observar os resultados. “Quando tava dando a silagem, entrou o período de seca e o gado segurou a base, não diminuiu nem aumentou. Quando acabou, ele perdeu peso e o leite também diminuiu”, conta.
De acordo com o Alberto Amorim, 8kg da silagem de gliricídia tem a mesma quantidade de proteína e o dobro de matéria seca de 1kg de farelo de soja, e fica por menos da metade do preço. A produção de alimentos no próprio local, utilizando a mão de obra familiar e reduzindo a dependência de insumos externos, é outra vantagem apontada pelo técnico. Para ele, “o fundamental é que você tem um alimento de boa qualidade e de baixo custo”.