quarta-feira, 14 de março de 2018

“Trabalhosa mas gratificante”, diz piscicultora sobre criação de peixes no Lago de Sobradinho




A rotina é extenuante, com atividades que não podem deixar de ser executadas várias vezes, dia após dia, mesmo que esteja cravado no calendário como sábado, domingo ou feriado. Um descuido e Neuraci de Jesus Silva sabe que serão menos quilos de peixes a colher nos 54 tanques-rede que mantém no lago formado pela Barragem de Sobradinho, no Rio São Francisco, e, consequentemente, menor a renda com a qual sustenta os três filhos.

Na sede da associação Acripeixess, que mantém com mais quatros sócios - Albaneide Santos Pinto, Edivane Limoeiro de Sousa (presidente), Jocecino José dos Santos e Maria das Graças -, a sequência de atividades começa cedo e vai até à tardinha: carregar o carrinho de mão com um saco de ração de 25kg e depois percorrer um caminho inclinado e pedregoso de mais de 100m  até a margem do rio, onde vai precisar transferir o saco para um barco. Em seguida, dar boas remadas até os tanques e, em cada um, encher uma vasilha com ração e jogar, para a alegria dos peixes confinados.

Ao longo do dia, e a depender do peso dos peixes, terá de repetir o percurso algumas vezes: se os peixes têm de 5g a 60g, serão 6 vezes; de 100g a 200g, vai repetir quatro vezes; três, quando têm entre 400g e 600g; e duas se pesam acima de 700g.

Quase sempre sozinha nessas atividades, Neuraci não reclama. Na verdade, aos 40 anos, se considera realizada. Nascida em Itiúba, região sisaleira da Bahia, há 12 anos desembarcou em Sobradinho com pai, mãe e irmãos na expectativa de melhorar de vida, como pescadores. E a essa atividade se dedicaram por vários anos na nova cidade.

Para ela, em 2003, o ingresso na associação mudou “muito” a dinâmica da sua vida de pescadora. Ao passar a criar peixes (Tilápia Rosa) em tanques-rede instalados em um único lugar, deixou de precisar se deslocar pelo rio para pontos distantes em jornadas que, por vezes, podiam levar mais de dias.

“Uma vez, para construir a casa que moro hoje, passei três meses pescando, vivendo debaixo de lona. A filha, tive de deixar com a vizinha para que não faltasse a escola”, revela.

Se, por um lado, facilitou o trabalho num só local, por outro aumentaram as preocupações com manejo dos peixes criados em cativeiros, com a racionalização dos recursos necessários à boa produtividade dos lotes instalados em cada um dos 54 tanques de sua propriedade e, ainda, com as estratégias de comercialização. Quando começou tinha somente 12 tanques.

Projeto - Ao iniciar as atividades, a Acripeixess era formada por 25 filiados. Atualmente está reduzida a cinco – quatro mulheres e um homem que, desde 2013, participam das atividades do Projeto Lago de Sobradinho, junto com pesquisadores e técnicos da Embrapa Semiárido e da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf).

Com a estratégia de experimentar técnicas de produção em meio real, os coordenadores do projeto fizeram a cessão de seis tanques-rede para cada um dos associados e eles passaram a ter o compromisso de, a cada 15 dias, registrar informações detalhadas acerca da quantidade de ração fornecida, peso, preço dos peixes, dentre outros dados que auxiliam na elaboração de inovações técnicas e gerenciais para ampliar a produtividade dos piscicultores.

De acordo com o coordenador do projeto, o pesquisador da Embrapa Semiárido Rebert Coelho Correia, “os dados nos permitem fazer um balanço da produção e ser mais precisos nos cálculos de rentabilidade da piscicultura. Temos constatado rendimentos de cada membro que chega a quase R$ 3.000,00 por mês. Melhor que o obtido em muitas atividades na região”, garante.

A atuação do projeto nessa área está relacionado ao Plano de Ação 7 (Reestruturação da pesca e da piscicultura), que está sob a gestão da pesquisadora Daniela Bacconi Campeche, da Embrapa Semiárido. Segundo ela, a atividade precisa da rápida iniciativa dos órgãos responsáveis para superar problemas como a falta de licenciamento ambiental, que impede o acesso dos produtores ao crédito bancário.

“Esse é o maior gargalo relatado por 100% dos produtores locais atualmente. Ter uma atividade deste porte, com lucratividade e sem financiamento, é só para quem realmente tem afinidade com a atividade”, garante Daniela.

“Todos os produtores já dominam o manejo da produção, sabem escolher bons fornecedores de alevinos e de rações. Mas ainda falta melhorar a gestão do negócio como um empreendimento, o planejamento estratégico e o controle de qualidade para ter um pescado mais homogêneo”, afirma . 

Com relação ao projeto, a piscicultora Neuraci Silva é categórica: “Conheci e gostei”. Continua ela: “O cooperativismo aqui é realidade, um ajuda o outro. Quatro pessoas vivem do peixe, só um tem outra atividade”. Ela própria exercia outra profissão, e tem até formação para isso – é Técnica em Enfermagem. Mas de antemão já avisa que não pretende mudar sua atuação.

“Talvez eu tivesse que trabalhar em vários hospitais para ter a renda que tenho aqui e sem a mesma alegria. Então, eu prefiro trabalhar com o peixe”, explica com um riso de satisfação.

O peixe de Neuraci, já tratado (sem as vísceras), tem destino certo: “viaja” para cidades baianas como Capim Grosso, Campo Formoso e Itiúba, onde é comercializado.

“Trabalho no que gosto, me sustento e ainda sustento meus filhos.” Neuraci de Jesus Silva


* Texto originalmente publicado na edição especial número 47 do Jornal do Semiárido, de janeiro de 2018 (ver aqui).

quarta-feira, 7 de março de 2018

Parceria pelo desenvolvimento rural no Vale do São Francisco







Nas suas perspectivas institucionais, a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), com seu Programa de Responsabilidade Social, e a Embrapa Semiárido, com sua agenda de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I), estabeleceram uma dinâmica de cooperação técnica que tem materializado métodos, meios e instrumentos de apropriação de conhecimentos e de tecnologias pelos agricultores e suas organizações. Os resultados são significativos.

Nos municípios baianos do entorno do lago formado pela Barragem de Sobradinho - Casa Nova, Pilão Arcado, Remanso, Sento Sé e Sobradinho - as equipes técnicas das duas empresas desdobraram-se na execução de um amplo programa de capacitação e de experimentações agrícolas em meio real, que tem incrementado nas propriedades uma infraestrutura produtiva, impactando na geração de renda dos agricultores e no desenvolvimento das comunidades rurais.

Na estratégia de intervenção do projeto estabeleceu-se, em 2010, metas de beneficiar direta e indiretamente cerca de 594 e 9.000 agricultores familiares, respectivamente. Em outubro de 2017 esses números já eram bem maiores: 744 e mais de 13 mil.

Alcançou-se um público dessa dimensão em um processo de articulação com organizações da sociedade civil (associações, cooperativas, sindicatos, colônias de pescadores etc.) e instituições públicas de ensino, de assistência técnica e extensão rural, e de regulação ambiental. Além disso, firmou-se importante interlocução com as prefeituras municipais e suas secretarias de agricultura, meio ambiente e desenvolvimento rural.

Mais que isso, no entanto, o projeto se ancorava na pluriatividade agrícola que havia sido constatada nas visitas aos municípios ainda na etapa da sua elaboração. Assim, incorporou objetivos e metas não apenas em questões tecnológicas e na sua transferência para os sistemas de produção. Chesf e Embrapa foram ao campo como espaço de vida, onde agricultores, vaqueiros e pescadores convivem junto aos recursos naturais e à produção pecuária e agrícola, integrando-se na perspectiva da sustentabilidade.

Da mesma forma, incorporaram conceitos de que o Bioma Caatinga é também território e espaço de desenvolvimento, que guarda e conserva potencialidades sociais, econômicas e ambientais inerentes aos indivíduos, às famílias, comunidades e  municípios.

Selou essa cooperação a determinação de atuarem para superar os impactos causados a milhares de ribeirinhos com a construção da Barragem de Sobradinho. À época, a população afetada se defrontou com a abrupta transformação dos seus hábitos e história.

O foco no desenvolvimento acelerado não percebeu o vazio cultural e tecnológico que as populações deslocadas das margens do rio e das áreas de influência da barragem tinham, para que pudessem se apropriar das novas oportunidades que se apresentavam. Estas populações possuíam valores e sistemas de produção e de vida pouco compatíveis com aquelas que chegavam atraídas pelas obras da barragem e situações advindas da nova dinâmica.

Na avaliação do administrador Rodolfo de Sá Cavalcanti, gestor da Chesf do Termo de Cooperação com a Embrapa Semiárido, “os resultados obtidos, apesar dos devastadores efeitos da seca no Semiárido baiano, durante o período do projeto, são surpreendentes e auspiciosos, recuperam e/ou restituem perdas do público-alvo do projeto, levando esperança e júbilo aos beneficiados, e incentivo para a ampliação de ações e iniciativas por parte das empresas”.

De fato, os resultados obtidos neste projeto ensejaram a Chesf e a Embrapa Semiárido a estenderem a cooperação técnica e elaborarem novas propostas, com a finalidade de promover sistemas de produção agropecuários mais harmonizados com o bioma  e que se traduzam no incremento da produtividade, na redução dos custos de produção e na melhoria da qualidade de vida dos agricultores e de suas famílias. Deste modo, se aproxima do desenvolvimento sustentável de comunidades rurais submetidas a sérios problemas sociais e econômicos.


* Texto originalmente publicado na edição especial número 47 do Jornal do Semiárido, de janeiro de 2018 (ver aqui).

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Projeto beneficia produtores do entorno das Eólicas de Casa Nova



Por meio de uma parceria firmada entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), mais de mil produtores familiares do entorno dos parques eólicos de Casa Nova (BA) serão beneficiados, com ações que visam fortalecer a agropecuária na região.

De acordo com o coordenador do projeto Eólicas de Casa Nova, o pesquisador da Embrapa Semiárido Rebert Coelho Correia, as ações têm uma dinâmica participativa e original. “Nós construímos a proposta promovendo consultas a órgãos públicos acerca do potencial agropecuário, problemas produtivos e ambientais, e das carências técnicas no entorno da região. Nossa intenção é aproximar os processos de inovação e de participação, pois grande parte do projeto vai ser desenvolvido em pequenas áreas de demonstração ou de experimentação técnica, em propriedades de agricultores ou entidades com perfil agregador e multiplicador”, destaca.

As atividades do projeto tiveram início em janeiro desse ano, com a realização de entrevistas com 72 produtores da área do parque. A partir das entrevistas, estão sendo selecionadas propriedades para a instalação dos Campos de Aprendizagem Tecnológica (CATs). Eles funcionarão como salas de aula a céu aberto, servindo como locais de exposição e, ao mesmo tempo, de irradiação das inovações, por meio da realização de eventos de transferência de tecnologias, treinamentos e capacitações de agricultores e profissionais vinculados a órgãos públicos e privados de assistência técnica e extensão rural.

Essas entrevistas também serão utilizadas, posteriormente, para comparar a realidade dos agricultores antes e depois do projeto. “Nós temos duas expectativas: primeiro de recuperar o ambiente que foi mexido, uma vez que, para a construção ou recuperação de estradas dos parques eólicos foi retirada a vegetação e solo de algumas áreas denominadas jazidas e, segundo, de deixar os agricultores que estão naquela área com uma vida melhor do que têm hoje”, conta o pesquisador da Embrapa Semiárido José Nilton Moreira.

Com o início das chuvas na região, outras ações começaram a ser realizadas nesse mês de fevereiro, a exemplo da distribuição de sementes de culturas alimentares, como feijão, abóbora e milho, e também de material forrageiro, como mudas de gliricídia, raquetes de palmas e sementes de sorgo. Além disso, o gestor técnico do projeto por parte da Chesf, Nevio Cichelero Spadoa, esteve na região e visitou, juntamente com uma equipe de pesquisadores da Embrapa, a área de atuação do projeto, onde se localizam seis jazidas que foram utilizadas para construção das estradas que viabilizaram o transporte das torres eólicas dos parques.

Segundo Francisco Pinheiro Araújo, pesquisador da Embrapa Semiárido, durante a visita foi possível observar mudanças no cenário das jazidas, em comparação com o relatório elaborado em 2015, quando os parques ainda estavam terminando de ser instalados, como a ocorrência de plantas nativas nos locais onde já existia um pouco de matéria orgânica. “Ao longo do projeto, pretendemos construir poços artesianos, construir e/ou ampliar barreiros para fazer irrigação complementar, além de fazer um manejo de solo nessas jazidas, tentando dar uma condição mínima para o plantio de espécies nativas”, conta.

As atividades do projeto têm foco na sustentabilidade da agropecuária na região, envolvendo sistemas de produção de importância econômica, social e ecológica, como a fruticultura de sequeiro, a criação de abelhas e de caprinos, ovinos e bovinos para leite e corte e para a elaboração de produtos alimentares derivados, a exemplo do queijo.

As estratégias adotadas objetivam, ainda, mitigar o uso excessivo dos recursos naturais e de insumos agrícolas, sem prejuízo da produtividade agrícola e da segurança alimentar das famílias. Também será realizada uma avaliação do potencial agrícola dos solos do município, além de um estudo dos impactos das ações executadas ao longo dos três anos de duração projeto.

Responsabilidade Social – O projeto “Ações de desenvolvimento para produtores agropecuários do entorno dos parques eólicos de Casa Nova-BA” (Eólicas de Casa Nova) é fruto de uma união de esforços institucionais no desenvolvimento de ações de Responsabilidade Social. Por um lado, a Embrapa Semiárido busca materializar métodos, meios e instrumentos de incorporação dos resultados da pesquisa aos sistemas de produção agropecuários, visando o incremento da produtividade, a redução dos custos de produção e a melhoria da qualidade de vida dos produtores familiares, sempre alinhados aos aspectos ambientais. Por outro lado, a Chesf se esforça em minimizar as dificuldades enfrentadas pela população impactada pela implantação dos parques eólicos no município e atender às condicionantes ambientais do licenciamento ambiental dos seus empreendimentos.

Assim, cabe à Embrapa Semiárido a coordenação do projeto, envolvendo parte significativa de sua equipe técnica e garantindo a interdisciplinaridade que o enfoque sistêmico e participativo, além do suporte administrativo e infraestrutura. A Chesf financia as ações do projeto. E a Prefeitura de Casa Nova também integra a parceria, disponibilizando profissional para condução dos trabalhos de campo e mediação das ações entre os pesquisadores e agricultores, além de ceder espaço para instalação do escritório do projeto no município.

A ação é continuidade de uma parceria iniciada em 2010, por meio do Projeto Lago de Sobradinho, que se estende até o ano de 2018. Esta ação, realizada nos municípios baianos de Casa Nova, Pilão Arcado, Remanso, Sento Sé e Sobradinho, contou com a participação de mais de 13 mil produtores em cursos, palestras e dias de campo. Também instalou e monitorou cerca de 640 Campos de Aprendizagem Tecnológica (CATs) e distribuiu mais de 130 toneladas de material genético, como manivas de mandioca, sementes de feijão, milho, milheto, sorgo, mudas de espécies forrageiras (palma, leucena e gliricídia), além de umbu gigante, maracujá-do-mato e outras frutíferas de espécies nativas. O projeto gerou, ainda, diversos resultados de pesquisa, com a publicação de mais de 80 artigos técnico-científicos.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Embrapa - Chesf Novos Projetos





Expandindo uma parceria que deu bons resultados no Projeto Lago de Sobradinho, a Embrapa Semiárido e a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) firmaram mais dois acordos de cooperação para executar o projeto “Ações de desenvolvimento para produtores agropecuários do entorno do parque eólico de Casa Nova-BA – Eólicas de Casa Nova” e “Ações de desenvolvimento para produtores agropecuários e estudantes dos Lagos do São Francisco”.

O primeiro tem execução de seis Planos de Ação (PAs) prevista até 2020 e circunscrita a propriedades rurais localizadas no entorno do parque eólico, contemplando aproximadamente 25% da área total do município (9.697,4 km²). Sua meta é beneficiar, diretamente, 82 e, indiretamente, 1.050 agricultores familiares em temas como sistema de produção de leite e de produtos alimentares, fruticultura de sequeiro e criação racional de abelhas.

O segundo é mais abrangente. Fruto de cooperação envolvendo Embrapa Semiárido, a Chesf e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), terá atuação em 12 municípios de quatro estados na região do Médio São Francisco: Bahia, Sergipe, Alagoas e Pernambuco.

Ao longo de 36 meses, tempo de duração do projeto, equipes multidisciplinares de pesquisadores, professores e técnicos desenvolverão os trabalhos por meio de dez Planos de Ação, com metas e objetivos voltados à formação de 4 mil agricultores e agricultoras familiares.

Durante a sua execução, serão realizados cursos, treinamentos, palestras e dias de campo, envolvendo não apenas pessoas das comunidades assistidas, mas, também, de outras áreas dos municípios, com a finalidade de ampliar a adoção das tecnologias.

As estratégias constantes nos Planos de Ação têm, ainda, o objetivo de mitigar o uso excessivo de insumos nos plantios e dos recursos naturais, sem prejuízo da produtividade agrícola e da segurança alimentar das famílias.


* Texto originalmente publicado na edição especial número 47 do Jornal do Semiárido, de janeiro de 2018 (ver aqui).

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Jornal do Semiárido traz edição especial sobre Projeto Lago de Sobradinho







A edição especial do Jornal do Semiárido, de Janeiro de 2018, destaca as ações, resultados e impactos do Projeto Lago de Sobradinho nas comunidades onde atua. As matérias abordam aspectos sociais, econômicos e ecológicos das ações, além de apresentar novas parcerias e divulgar o Prêmio Celso Furtado de Desenvolvimento Nacional, que o projeto recebeu em dezembro de 2017.

Entre os conteúdos apresentados no jornal estão a reestruturação da pesca e da piscicultura na região a partir dos experimentos realizados pela Associação Acripeixess, juntamente com a equipe técnica do projeto; os resultados de uma pesquisa que avaliou os impactos socioeconômicos da implantação de tecnologias de baixo custo em uma unidade familiar na comunidade de São Bento, em Remanso (BA); e a relação do projeto com estudantes do ensino público em Sento Sé (BA). Além disso, a edição traz ainda um artigo dos coordenadores do projeto avaliando os seus desafios e resultados, e aborda, também, os novos projetos decorrentes dessa parceria entre a Embrapa e a Chesf.


Clique aqui para acessar a edição completa.


quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Embrapa Semiárido recebe Prêmio Celso Furtado de Desenvolvimento Regional




A Embrapa Semiárido (Petrolina, PE) foi contemplada o 1º lugar do Prêmio Celso Furtado de Desenvolvimento Regional, na categoria “Projetos Inovadores para Implantação no Território”, com o projeto “Lago de Sobradinho - Ações de desenvolvimento para produtores agropecuários e pescadores do território do entorno da Barragem de Sobradinho-BA”. A premiação será entregue durante solenidade a ser realizada no dia 5 de dezembro, no Ministério da Integração Nacional, em Brasília-DF.

O pesquisador da Embrapa Semiárido e coordenador do Projeto Lago de Sobradinho, Rebert Coelho Correia, atribuiu ao trabalho em equipe à conquista do 1º lugar. “O projeto tem sido exitoso em suas ações e reconhecimentos, inclusive em premiações, em decorrência do envolvimento qualificado de grande número de empregados da Embrapa Semiárido, estagiários e uma equipe comprometida com os resultados. Agradeço a todos e compartilho esse momento de grande alegria”, declara.

Além desta primeira colocação, a empresa recebeu menção honrosa na categoria “Nordeste - Inovação e Sustentabilidade”, com o projeto “Desenvolvimento e Implementação da Certificação dos Vinhos do Vale do São Francisco”, desenvolvido pelo pesquisador Giuliano Elias Pereira, da Embrapa Uva e Vinho (Bento Gonçalves-RS), que atua na Embrapa Semiárido. O trabalho, que conta com mais de 40 profissionais de diversas instituições de pesquisa, vem sendo desenvolvido há quatro anos e tem o objetivo de reunir informações a respeito das características dos vinhos produzidos na região, para elaboração de um dossiê que permita a obtenção do registro da Indicação de Procedência Vale do São Francisco – uma forma de garantir  a qualidade dos vinhos que chegarão aos consumidores, consolidar  o produto no mercado e atrair novos investidores.

Outras Unidades da Embrapa também foram contempladas com a premiação. O projeto “Geração Tecnológica Integrada Para Uso Sustentável da Biodiversidade: Maracujá Pérola”, coordenado pela pesquisadora Ana Maria Costa, da Embrapa Cerrado (Brasília-DF), obteve o 2º lugar na categoria “Práticas Exitosas de Produção e Gestão Institucional”. Na mesma categoria, a Embrapa Mandioca e Fruticultura (Cruz das almas-BA) recebeu menção honrosa pelo projeto “Biodiversidade Funcional Associada à Vegetação Espontânea e ao manejo de coberturas vegetais em pomar familiar de citros em sistema agroflorestal – Biodiverso”, que tem à frente o pesquisador Rômulo Da Silva Carvalho. Mereceu menção, ainda, na categoria Nordeste – “Inovação e Sustentabilidade” o projeto “Sisteminha Embrapa UFU FAPEMIG - Produção Integrada de Alimentos”, liderado pelo pesquisador Luiz Carlos Guilherme, da Embrapa Meio-Norte (Teresina-PI).

O Projeto - Fruto de uma parceria entre a Embrapa Semiárido e a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), o projeto Lago de Sobradinho vem sendo desenvolvido desde 2010 nos municípios baianos do entorno do lago formado pela Barragem de Sobradinho – Casa nova, Pilão Arcado, Remanso, Sento Sé e Sobradinho. A meta inicial era beneficiar, direta ou indiretamente, cerca de 594 e 9 mil agricultores familiares, respectivamente. Até outubro de 2017, esse número cresceu para 744 e mais de 13 mil beneficiados.

Uma equipe multidisciplinar formada por 31 pesquisadores e analistas da Embrapa, distribuída entre os 14 Planos de Ação componentes do projeto, é responsável por executar uma ampla programação de capacitações e experimentações agrícolas que tem incrementado nas propriedades uma infraestrutura produtiva, impactando na geração de renda e desenvolvimento das comunidades rurais.

A equipe desenvolve atividades que contemplam a diversidade agrícola da região, como olericultura (cebola, melão e melancia), a bovinocultura (leite e carne), caprino e ovinocultura, piscicultura, apicultura, fruticultura de sequeiro, cultivos alimentares (milho, feijão-caupi e mandioca), recuperação de mata ciliar, indicadores de desenvolvimento sustentável e beneficiamento de produtos da agricultura familiar (carne, leite, mandioca e frutas), além de estudos das cadeias produtivas de três atividades agrícolas relevantes na região: apicultura, criação caprina e ovina e piscicultura.

Um dos instrumentos metodológicos adotados para realização das atividades são os Campos de Aprendizagem (CAT), uma espécie de espaço pedagógico para experimentações técnicas individuais e comunitárias, e programação de atividades de formação e de capacitação.

Ao longo dos anos, o projeto vem se consolidando e alcançando resultados significativos. Em apenas uma das atividades produtivas contempladas, a olericultura, foram registrados incrementos de produtividade acima de 80% economia de 50% de água, 80% de fertilizantes e 30% de mão de obra. Na apicultura, os cursos de capacitação e apropriação tecnológica fizeram as produtividades saltarem de aproximadamente 13 kg/colmeia/ ano para cerca de 40 kg/ colmeia/ ano.

O Prêmio - A premiação surgiu em 2009 como uma das estratégias do Ministério da Integração Nacional para estimular o processo de discussão e divulgação da Política Nacional de Desenvolvimento Regional – PNDR, intitulado “Prêmio Nacional de Desenvolvimento Regional Edição 2010: homenagem a Celso Furtado”. Na edição seguinte, o nome do consagrado economista brasileiro foi incorporado permanentemente à denominação do Prêmio que passou a se chamar "Prêmio Celso Furtado de Desenvolvimento Regional".

O prêmio visa fomentar, discutir e divulgar estratégias que contribuam para o desenvolvimento regional em todo o País, levando em conta as potencialidades e a realidade de cada lugar, além de envolver o poder público e a sociedade civil organizada na discussão e na identificação de medidas concretas para a redução das desigualdades de padrão de vida entre as regiões brasileiras e a promoção da equidade no acesso a oportunidades de desenvolvimento.

Esta edição contou com a inclusão de categorias específicas para a Amazônia, o Nordeste (Semiárido) e Centro-Oeste (faixa de fronteira), tendo um total de seis categorias: Produção do Conhecimento Acadêmico; Práticas Exitosas de Produção e Gestão Institucional; Projetos Inovadores para Implantação no Território; Amazônia –Tecnologia e Inovações para o Plano Regional de Desenvolvimento da Amazônia (PRDA); Centro-Oeste –- Desenvolvimento para a Faixa de Fronteira; Nordeste – Inovação e Sustentabilidade. Os primeiros e segundos colocados em cada categoria receberão R$ 15 mil e R$ 10 mil, respectivamente e Diploma de  Reconhecimento  de  Mérito  na  categoria  em  que concorreu.

Nas três primeiras edições o prêmio homenageou a três brasileiros, Celso Furtado, Rômulo de Almeida e Armando Dias Mendes, pela importância deles como responsáveis pela condução do processo de reconhecimento político, social e econômico da questão regional brasileira e de inserção do tema na agenda de governo e no centro do debate nacional, a partir da década de 1950. Em sua quarta edição homenageia o geógrafo Milton Santos falecido em 2001, cujas teorias contribuíram para a compreensão do território nacional contemporâneo, bem como do processo de urbanização da América Latina e do Brasil.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Blog responde a consulta de leitor

José Fernandes em apiário na área rural de Casa Nova (BA)
Após leitura da reportagem "Na seca, ração balanceada impede abelhas de abandonar colmeias", Joaquim José Neto encaminhou mensagem ao blog solicitando orientação quanto aos ingredientes, suas quantidades, bem como o processo de preparo de ração para fornecer as abelhas nos períodos de estiagem.

Em consulta ao especialista em apicultura, José Fernandes Neto - Eng° Agrônomo, lotado no escritório de Juazeiro (BA) da Superintendência Baiana de Assistência Técnica e Extensão Rural (Bahiater), vinculado ao Serviço Territorial de Apoio à Agricultura Familiar SETAF) - declarou que "existem diversas as formulações de ração". Contudo, a que ele tem recomendado nos diversos treinamentos e capacitações que realiza 

No caso de uma ração proteica capaz de suprir a necessidade de pólen das abelhas a ração é a seguinte:

Ingredientes
- 500g extrato de soja;

- 500g fubá de milho;

- 500g farinha de trigo sem fermento;

- 500g açúcar refinado.

Modo de preparo
Mistura tudo e fornece em cochos coletivos...seca mesmo...

Para a preparação de um xarope voltada ao suprimento de néctar, a receita é a seguinte:
Ingredientes

1 litro d'água;

500g de açúcar(o mais barato);

2 colheres de sopa de suco de limão.

Modo de preparo
 
Coloca a água e o açúcar para ferver e mexe para dissolver.
Assim que estiver dissolvido, coloca as 2 colheres de suco de limão e deixa fervendo por mais 3 minutos.

Deixa, então, esfriar e fornece para as abelhas.
Isto pode ser feito em bebedores individuais ou em cochos coletivos. 
Em cochos, não esquecer de ter o cuidado de colocar madeiras, isopor, pedras etc para que as abelhas não morram afogadas no xarope.
Ainda de acordo com José Fernandes Neto, "é importante o fornecimento das duas alternativas (ração seca e xarope) pelo menos, 2 vezes por semana.

Outro fator muito importante é disponibilizar água limpa durante todo o período da seca nos apiários. 
"Abelhas precisam de muita água e nunca deve faltar", alerta o agrônomo. 

Aqui, o blog destaca um sistema simples, eficiente e barato de abastecimento de água para as colmeias.